A beleza vai muito além da estética corporal, modificar o que está por dentro, a forma como pensamos e agimos, é o que realmente importa!

 

Num passado não muito distante lembro dos dias em que olhava para o espelho
e odiava o que via, de desejar um cabelo diferente, uma altura diferente, de
desejar ser um alguém que não era eu.

Lembro das tentativas frustrantes de me modificar, alisava o cabelo, me
cobria de maquiagem e ainda assim ficava descontente. O tempo foi passando e
comecei a me entender melhor, comecei a me questionar sobre o porquê de tanta
insatisfação comigo mesma e depois de muita auto avaliação, me encontrei.

Entendi que aquela do espelho era eu e que ela era única, em TUDO. Comecei a
me amar de forma única, um tanto egoísta e agressiva, confesso. Não permitia
pensamentos depreciativos vindos de mim e muito menos vindo dos outros,
comentários em formas de piadas era motivo crucial para que eu excluísse a
pessoa da minha vida, esquecendo qualquer tipo de afeto que em mim algum dia
existiu por ela, enfim, aceitei a mim mesma, com abruptidão, mas aceitei.

Hoje, agradeço a mim e somente a mim pelo tal processo. Nada me inveja mais,
nada me inquieta mais a ponto de querer me modificar, olho para mim e agradeço
ao Universo por cada pedacinho deste corpo, por cada pedacinho desta alma e
imensidão. Consigo presenciar as transformações de outros e não as desejar
mais, não me questionar mais, porque finalmente consegui me aceitar, me amar…

O meu eu de hoje é feliz. Torço ainda para que todos entendam que a beleza
vai muito além da estética e que modificar o que está por dentro, a forma como
pensamos, a forma como agimos diante do mundo e principalmente das pessoas que
nos rodeiam, é o que realmente interessa.

 

Eu detestei cada detalhe de minha existência e enquanto eu me questionava sobre isso, minha mãe adentrou o portão de casa com um baita sorriso no rosto, algumas sacolas nas mãos e feliz, extremamente feliz […]

Amanheci num dia em que as nuvens cobriam meu coração, eu me sentia inquieta, triste, irritada, sem ter um porquê convencedor.

Eu só queria não ter que existir naquele momento, poder desconectar de mim e dos fios que me ligavam a este mundo.

Levantei, passei um café com a angústia me acompanhando no peito, sentei na rede estendida na varanda e devaneei, o dia estava lindo, havia nuvens no céu enfeitando a imensidão azul, e dentro de mim chovia, relampejava…

– Por que me sinto assim? – me questionava.

Não conseguia chegar à resposta alguma, eram muitos os fatores que se encaixavam, até se transformarem naquela bola seca que havia em minha garganta. Eu não tinha um motivo convincente, mas sim muitos pequenos que se fizeram gigantes, sem que eu percebesse.

Eu detestei cada detalhe de minha existência e enquanto eu me questionava sobre isso, minha mãe adentrou o portão de casa com um baita sorriso no rosto, algumas sacolas nas mãos e feliz, extremamente feliz.

– Bom dia mãe, por que está tão feliz assim? – perguntei.

Ela começou a falar sobre o seu percurso até minha casa, de algumas casas que havia visto pelas ruas, das pessoas, dos preços das coisas , etc (porque no momento não me recordo de mais nada), porque ao mesmo tempo em que falava, me hipnotizava. Minha mãe tinha 53 anos, dona de casa, de uma vivacidade sem igual, algumas rugas nos olhos, a pele ressecada em alguns pontos, cabelos nitidamente brancos, baixa, significativamente baixa. Gesticulava cada palavra que dizia, pensei até que estava me achando meio abobada, pois eu não respondia coisa com coisa.

Comecei a pensar em como ela era linda, como era invejável sua confiança em si mesma, seu olhar doce e seus olhos de acalento. Senti vergonha do que estava pensando antes de sua chegada. Que direito tinha eu de questionar minha própria existência? Que direito tinha eu de tirar a vida que ela gerou em si, com muito amor e cuidado! É, eu não tinha direito algum. Ver o sorriso dela me olhando, os movimentos leves diante de mim, os olhos mansos, me fez parar para pensar em todas as coisas ruins que eu mesma criei sobre mim. Me fez querer ficar diante dela, pertinho, sentada aos seus pés a ouvindo. Me fez querer congelar aquele momento em que eu tentava a decifrar. Sem dúvidas, fez eu me arrepender e ainda que aos trancos, agradecer pela minha existência e principalmente pela dela, pelo meu elo com ela, pelo amor dela a mim. E antes de mais nada me fez querer ficar ali, com os olhos grudadinhos nos dela, ouvindo contar suas histórias que aos meus ouvidos pareciam mais recitações de poemas.

Enquanto ela falava, eu sussurrava ao universo que me perdoasse.

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